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Comino está sobresestimada? Uma análise honesta após 4 visitas

Comino está sobresestimada? Uma análise honesta após 4 visitas

Quatro visitas a Comino em diferentes estações. A resposta honesta: sobresestimada no verão, genuinamente mágica em outubro. Eis o que me fez mudar de ideias

A minha primeira visita convenceu-me de que estava sobresestimada. A quarta mudou a minha opinião.

Da primeira vez que fui a Comino, era um sábado no final de julho. O barco de Sliema levava cerca de 60 pessoas, a maioria armada com flamingos infláveis e pequenas geleiras azuis. A Lagoa Azul ficou visível após 90 minutos no mar, e era de facto exatamente da cor das fotografias — um turquesa que parece quase agressivo na sua insistência em ser bonito. Ancoramos, nadámos (brevemente, em água turva com o protetor solar dos outros), comemos sanduíches caras da cozinha do barco. Voltámos a Sliema às 17h.

Pensei: está bem. Água bonita. Não vale tanto a pena.

Na quarta visita — outubro de 2018, fora de época, num pequeno barco privado com cinco amigos — tinha revertido completamente a minha posição. Eis porquê.

O que Comino realmente é (sem a versão Instagram)

Comino é a menor das três ilhas habitadas de Malta: 3,5 quilómetros quadrados, aproximadamente retangular, maioritariamente mato com uma torre azul (a Torre de Santa Marija do século XVII) e um punhado de edifícios incluindo um hotel que fechou para renovação há anos e nunca reabriu. Não há carros, não há estradas no sentido convencional, e não há residentes permanentes — a figura de “habitantes” de cerca de quatro pessoas refere-se geralmente a um polícia estacionado sazonalmente e talvez um zelador do hotel.

A ilha tem uma coisa pela qual toda a gente vem: a Lagoa Azul, o canal entre Comino e o pequeno ilhéu de Cominotto, onde a cor da água é determinada pelo fundo arenoso raso e pela clareza do Mediterrâneo. É genuinamente uma das cores de água mais belas que já vi em qualquer mar.

E depois tem o resto da ilha, que a maioria das pessoas nunca vê porque passa o tempo na Lagoa Azul e vai embora.

O argumento para “sobresestimada”: julho e agosto

Não há uma forma suave de dizer isto: a Lagoa Azul no pleno verão não é uma experiência agradável. Três mil pessoas por dia é a figura comummente citada para o pico de julho-agosto. Os barcos ancoram lado a lado e os seus motores agitam a água. A claridade da água — o único ponto — fica significativamente reduzida. As espreguiçadeiras cobrem cada superfície plana. O nível de ruído é próximo ao de uma discoteca.

A situação de comida e bebida: uma pequena concessão a vender garrafas de água a 3 € e cachorros quentes a 8 €. Há pessoas que fazem fila por estas coisas. Há outras pessoas que trouxeram geleiras de Malta, que é a abordagem correta mas acrescenta à bagagem na travessia.

A própria travessia, de Sliema ou Bugibba, é de 60-90 minutos num barco que está tipicamente cheio. O regresso implica acertar a saída com a corrida das partidas da tarde, o que pode significar outra hora na água.

Por esta experiência, o preço típico do tour é 25-40 € por pessoa. Isto é objetivamente bom valor para um dia no Mediterrâneo, mas não parece assim quando estamos a partilhar a lagoa com 2 000 outras pessoas.

A minha avaliação honesta de Comino em julho-agosto: sobresestimada, sim. A realidade não corresponde à imagem.

O argumento para “não sobresestimada”: época de transição e inverno

A minha quarta visita foi em outubro de 2018, que foi quando tudo mudou.

A ilha em outubro é uma proposta diferente. A temporada de barcos turísticos diminuiu dramaticamente — menos operadores, barcos mais pequenos, clientela diferente. As pessoas que vêm em outubro não são o grupo dos flamingos infláveis; são pessoas que ou vivem localmente e sabem o que outubro oferece, ou fizeram alguma pesquisa e descobriram.

A Lagoa Azul em outubro: 20-30 pessoas. A água no seu estado mais transparente — consegue-se ver cada detalhe do fundo arenoso a 4 metros de profundidade. A temperatura: cerca de 23°C na água, ideal para nadar. Os barcos que estão ali estão ancorados silenciosamente, sem motores a agitar. A luz entra num ângulo mais baixo e transforma a água de turquesa em algo entre verde e dourado ao fim da tarde.

Passámos quatro horas na água, nas rochas em torno da lagoa, a comer comida que tínhamos trazido de Malta. Ninguém estava a tentar vender-nos nada. Um falcão (acho que era um peneireiro) caçava ao longo da borda da falésia. A Torre de Santa Marija estava azul-escura contra o céu.

O resto da ilha em outubro: percorremos o caminho costeiro em direção ao sul, o que implica escalar terreno rochoso sem trilho marcado. A Lagoa de Cristal — a baía mais pequena no lado leste da ilha, mais calma do que a Lagoa Azul — estava completamente vazia. O matagal tem o cheiro de tomilho selvagem e sal marinho. Há secções da ilha onde a vista é apenas mar, rocha e céu em todas as direções.

A minha avaliação honesta de Comino em outubro: não sobresestimada de forma alguma. Vale várias visitas.

O veredicto: o momento é tudo

QuandoVeredictoMultidõesClaridade da águaPreço
Julho-agostoSobresestimada2 000-3 000/diaBaixaAlto
Final de setembroLimite500-800/diaBoaModerado
OutubroVale a penaMenos de 200/diaExcelenteBaixo
Novembro-marçoMuito vale a penaMenos de 50/diaExcelenteMais baixo
MasNota:ferries corremcom menos frequênciano inverno

De novembro a março, os serviços regulares de ferry de Cirkewwa e Mellieha são reduzidos ou param completamente. Ir a Comino no inverno significa um charter privado ou um tour de barco de Sliema, que custa mais mas proporciona uma experiência radicalmente melhor.

Malta: Blue Lagoon Evening Catamaran Cruise (Bugibba departure)

Se fores no verão, a opção do catamarã à tarde — chegando à Lagoa Azul por volta das 17-18h quando os barcos diurnos estão a partir — proporciona uma versão da experiência muito mais próxima do que outubro parece.

A alternativa da Lagoa de Cristal

Uma coisa que vale a pena dizer explicitamente: a Lagoa de Cristal, que fica atrás do pequeno promontório a leste da Lagoa Azul, é quase sempre significativamente mais calma do que a sua famosa vizinha. A água é igualmente clara, a cor semelhante, a natação igualmente boa. A concessão de espreguiçadeiras não opera lá, por isso estás nas rochas, mas isso não é uma desvantagem se trouxeste algo para te sentar.

A razão pela qual a Lagoa de Cristal continua menos visitada é simples: os barcos turísticos vão à Lagoa Azul porque é o que a reserva diz. Se estiveres num barco privado ou num caiaque, a Lagoa de Cristal é acessível e normalmente significativamente menos concorrida.

A Torre de Santa Marija e o interior da ilha

Quase ninguém que visita Comino numa excursão de um dia explora além da Lagoa Azul. Isto significa que o resto da ilha — a torre, os caminhos costeiros, as cotas mais altas com a sua vista de 360 graus — está consistentemente tranquilo independentemente da estação.

A Torre de Santa Marija é uma das várias torres costeiras construídas pelos Cavaleiros de Malta no século XVII para vigiar os ataques otomanos. Está fechada (o interior só é acessível em eventos ocasionais do Heritage Malta), mas o exterior e o promontório em que se encontra valem o passeio de 20 minutos desde a Lagoa Azul. A vista do topo da ilha abrange Malta, Gozo, e em dias limpos as montanhas da Sicília.

A conclusão, após quatro visitas: Comino é exatamente tão boa quanto as imagens sugerem — mas não em julho, não ao meio-dia, e não quando 3 000 outras pessoas estão lá para te dar razão.